DE CARA NOVA…

Posted: 23 de Novembro de 2011 in Diversos

Volto ao blog com novo nome e de cara nova!

Aguarde as atualizações!

Agosto de quem?

Posted: 2 de Agosto de 2011 in Cultura e Arte, Mãe Terra, Natureza

A fama do mês de agosto nunca foi boa. Pelo menos aqui em Brasília, agosto fica entre o inverno e a primavera e todo mundo esperando a chuva. O clima varia entre frio e calor, sem umidade nenhuma, como se testasse nosso corpo ao limite. Dá impressão de estar passando por uma seleção natural – sobrevive o mais forte!

Conversando com um amigo sobre questões que vem acontecendo na política e economia do país, ele finalizou a fala da seguinte forma: “Agora precisamos nos preparar, agosto você sabe como é…”

Contudo, penso que temos a tendência de maximizar, principalmente, as coisas ruins da vida. Isso não é nada bom!

O conselho que dei ao meu amigo e dou às pessoas com as quais converso é:

Conecte-se à natureza, sinta qual recado ela traz. Embora estejamos cercados de concreto, ainda temos conexão com a terra e não é difícil sentirmos os processos cíclicos pelos quais passamos. Atualmente estamos em período de recolhimento, purificação, renovação, cura, transformação… É normal que as feridas apareçam, a diferença é se vamos ficar derramando lamúrias ou vamos nos curar! A primavera espreita e olha pela janela analisando por onde entrará, com certeza seu tempo chegará trazendo as primeiras chuvadas, flores e mais calor.

É isso que estamos vivendo, a preparação para a chegada da primavera. Renovação de esperanças e forças. Agosto também é um mês de iniciações, é época propícia para planejar e dar os primeiros passos de projetos.

O importante é não dar força ao negativismo atribuído ao mês de agosto. Virarmos a chave e encararmos como um mês para recomeçar!

Ontem me deparei com uma situação interessante: Os machistas que conheço tinham muito mais conhecimento sobre a Parada LGBT de São Paulo que eu. Isso mesmo! Meu final de semana foi cuidando de muitas outras questões e não pude acompanhar, pela mídia, o movimento. Entretanto, por que me preocupar se os heteros machistas cuidam disso para mim, não é mesmo?!

Já notaram como o machismo está intimamente ligado à homofobia, talvez por depreciarem tudo o que lembre uma mulher, e se um homem mostra um jeito, digamos, ‘feminino’ – já é a escória do mundo. Há os que dizem: “Ele é gay mas tem jeito de homem, então não agride tanto!” Mas essa é outra história, o fato é que fui pesquisar algumas coisas, e…

Piadinhas à parte, toda essa preocupação excessiva de alguns heteros quanto aos homossexuais, tornando-os até mesmo homofóbicos, é peculiar. Para minha surpresa, me deparei com um estudo científico que tinha lido há algum tempo: Homofóbicos, cientificamente, sentem-se atraídos/excitados com pessoas homossexuais do mesmo gênero.

Surpresa!

É difícil de acreditar, mas a pesquisa foi feita pela Universidade da Geórgia.

Essa pesquisa é importante não para dar base aqueles argumentos falhos, do tipo: “Ah, ele é um gay enrustido!” Minha visão é que, se outrora era estudado o que causava o ‘homossexualismo’, atualmente começam as pesquisas sobre o que causa o ‘homofobismo’. A homossexualidade está saindo do papel de vilã social e a homofobia está tomando este lugar. Heteroafetivos com esclarecimento necessário apoiam a luta contra o preconceito e a discriminação, assim como muitos homens apoiam a luta das mulheres contra a violência – a Marcha das Vadias é um bom exemplo!

O Dia do Orgulho LGBT não visa afrontar a heterossexuais, tão pouco converter pessoas em homossexuais ou bissexuais. Até porque ninguém vira ou ‘desvira’ sua sexualidade.

O Orgulho LGBT, em minha visão, está muito mais ligado a impulso na luta dessa minoria (Que em números cresce a cada dia!) e o reconhecimento do ser humano considerando muito mais que apenas sua orientação sexual ou gênero. Vejo a observância de tal dia como uma ação contra o suicídio. É apontado por pesquisas que o índice de suicídio por parte de homossexuais é cinco vezes maior. Preocupante! Alguns países promovem ações de valorização individual e alianças entre homossexuais e heterossexuais. O resultado? Têm conseguido diminuir significativamente tais índices.

À medida que avançamos em cidadania por um Estado laico, assistimos e sofremos a resposta dos fundamentalistas religiosos. Hoje temos uma bancada evangélica no parlamento de um Estado laico – isso no mínimo fere nossa Constituição Federal! A luta da população marginalizada é atacada pelo Orgulho Hétero e pela Consciência Branca! Um Juiz de Goiás anula uma união estável homoafetiva pouco depois do famoso humorista Rafael Basto ter estimulado o crime hediondo estupro em suas piadas preconceituosas e discriminatórias. Assistimos a resistência homofóbica quanto à aprovação de um projeto de lei que é contra a discriminação e a violência – é a luta pelo direito de discriminar e praticar violência? Seguimos com o caso de uma deputada estadual que entra pra turma do Bolsonaro associando homossexualidade com pedofilia, demonstrando um estado mental desfavorável em relação ao restante da população brasileira, que inclui desde intelectuais até analfabetos.

Ufa! Respire!

Hoje, falamos em homoafetividade. A vida de um ser humano não deveria ser medida por sua orientação sexual ou gênero. Partindo da luta feminista e LGBT, convergimos à um ponto em comum: exercício de direitos civis, a igualdade rezada em nossa Constituição Federal, a luta contra a violência por intolerância e muitos outros pontos.

Celebramos no Dia do Orgulho LGBT, um movimento que, desde a manifestação de Stonewall, vem crescendo e alcançando sucessos significativos para a vida das cidadãs e cidadãos de várias pátrias. Ontem, no Brasil, o judiciário reconheceu a união estável de um casal homoafetivo como casamento civil. Mais uma vitória entre bombardeios retrógrados e discriminatórios, mais uma demonstração de que não vamos parar com nossa luta pelo Amor!

É necessário relembrarmos os motivos de nossa luta e celebrarmos nossa coragem!

Manteremos viva a memória daquelas e daqueles que foram assassinados ou cometeram suicídio por homofobia. Combateremos a violência, a discriminação, o preconceito e a intolerância.

Continuaremos a luta pelo amor e contra a violência! É isso que fazemos com destreza.

Este é o nosso Orgulho LGBT!

Celebramos este dia com o primeiro casamento civil homoafetivo, um marco na história de nosso Estado que está começando a entender o que é ser LAICO!

Assista ao vídeo e ganhe mais um motivo para combater a homofobia:

Menstruação, não é assunto de homem?

Posted: 10 de Junho de 2011 in Mulher, Saúde

Observei muitas conversas sobre a interrupção, aceitação, adiamento e um monte de outras questões relacionadas à menstruação.

Lembro-me da minha experiência com a menarca. Eu tinha 11 anos de idade, estava no colégio quando, ao ir ao banheiro, notei algo estranho em minha calcinha. Coloquei papel higiênico pra não sujar a roupa e ao chegar em casa falei para minha mãe: “Algo estranho está acontecendo comigo!”.

Depois de toda a conversa normal e o comunicado pra toda família de que eu tinha ‘virado mocinha’ (Ok, expressão chata!), ganhei um absorvente!

Embora eu já soubesse quase tudo, que precisava saber naquele momento, sobre menstruação, aquela conversa foi necessária. Aliei conhecimento teórico e prática. Pela primeira vez eu vivia a menstruação, e partindo daquele momento, todos os meses eu menstruaria (Isso se tudo corresse conforme o previsto!).

O tempo passou. As menstruações iam e vinham com cólicas e TPM’s de brinde…

Pessoalmente, avalio a minha menstruação como meu ciclo. Muitas leitoras e muitos leitores podem pensar: ‘Ué, o que tem de diferente na frase dela? O ciclo não é dela? Isso é redundante!’.

Seria redundância dizer que a minha menstruação é um ciclo meu se assim fosse aceito e ensinado por nossa cultura, o que não acontece.

A menstruação é definida como: ‘Mais uma das partes ruins em ser mulher!’.

Entretanto, não há experiência mais íntima e pessoal do que menstruar. Mais ou menos cólicas, nojo ou não do próprio sangue menstrual, TPM insuportável ou não e uma infinidade de outras reações que mudam de mulher para mulher.

Eu vejo algum problema na interrupção do ciclo menstrual? Não, nenhum!

Se existe mesmo um problema, este pode até envolver ciclos femininos (A menstruação, por exemplo.), contudo é um pouco mais amplo, na minha visão.

Eu vejo que a mulher, de modo geral, começou acordar para si.

Não foi a menstruação, isoladamente, renegada. A mulher, sim,  foi renegada.

As inserções femininas no mercado de trabalho, nas políticas e em movimentos sociais aconteceram de forma dolorosa.

As necessidades (Muitas vezes, caprichos.) masculinas sempre foram respeitadas no meio profissional, social, etc. Ainda hoje é comum que um homem tenha, até mesmo, suas vontades sexuais levadas em consideração durante viagens de negócio e demais eventos. (Isso não é femismo, eu já presenciei!).

Quanto às necessidades de uma mulher, tão pouco são vistas com a devida compreensão. Não digo no sentido de ‘ter pena’ e sim de respeito. Por exemplo, se uma mulher que está menstruada e enfrenta fortes cólicas e se atrasa, acaba sendo rechaçada – são comuns os dizeres: “tá vendo, mulher é um atraso de vida! Deve ter demorado se maquiando ou teve algum daqueles ‘problemas de mulher’.”.

Fatos assim mostram que a sociedade em si recebeu a mulher como uma pedra no caminho – “Renegue suas necessidades pessoais ou estará fora.”.

Mulher que quer progredir profissionalmente tem que virar as costas para si e se transformar numa máquina que não menstrua, não engravida e tão pouco tem oscilações hormonais.

Esse processo não foi automático, gradualmente o “renegar a si” foi sendo instalado em cada mulher, desde a tenra idade. É normal que uma máquina não menstrue, é normal que a mulher moderna renegue seus ciclos.

É verdade que muitas mulheres, que abraçaram seus ciclos e os compreenderam, escolhem não mais menstruar, seja por questões relacionadas à saúde seja por escolha consciente – note, falo de escolha consciente. Isso eu não critico, compreendo e apoio a liberdade de escolha de cada mulher.

A minha crítica é quanto à ignorância, a ‘não escolha’. Muito me incomoda a condução da vida da mulher contemporânea como a rotina de uma manada. Essa obstinação patriarcal de não somente alienar as mentes, mas também dominar os corpos.

Não concordo com a autoridade assumida por homens quanto a assuntos referentes à vida de uma mulher – experiências que homem nenhum viveria.

Homens preocupados com as necessidades, exclusivamente, femininas são bem vindos. A necessidade é de estes homens compreenderem qual é sua posição neste contexto.

É de autoridade? É colaborativo?

Meu ponto de vista defende o reconhecimento individual da posição dentro de um movimento, causa etc. Não a segregação ou exclusão.

Simplesmente é complicado nos apropriarmos, nos colocarmos em posição de autoridade quando o assunto é tão significativo na vida de um grupo de pessoas ao qual não pertencemos.

Nós mulheres somos autoridades quanto aos assuntos que se referem a nós, os homens que contribuam apenas isso. A eles não pode ser dada a autoridade sobre as mulheres em nossa sociedade, muito menos o direito de ditar como lidaremos com nossos ciclos.

É bom que tenhamos possibilidade de menstruar, não menstruar, usar coletores ecologicamente corretos, absorventes sintéticos ou naturais e assim por diante. O ponto é: Que a decisão seja propriedade individual e não influências patriarcais ou de qualquer outro cunho.

Sei que pareço dar uma volta imensa em torno de um tema pontual, entretanto é necessário buscarmos uma visão ampla do nosso papel enquanto mulheres dentro de movimentos, grupos de mulheres e sociedade de modo geral. Por outro lado, é necessário compreendermos a contribuição de homens nestes movimentos e a posição que permitiremos que assumam neles.

Menstruação não é assunto de homem.

Precisamos brecar a apropriação do tema pelo patriarcado, ao mesmo tempo em que aceitamos tais homens como aliados.

Distorção da noção de respeito por parte do Teatro Nacional Cláudio Santoro!

Nesta terça-feira (07/06), no Teatro Nacional Cláudio Santoro o I Festival de Ópera de Brasília foi aberto com Mozart e muita confusão.

Várias pessoas, que retiraram seus bilhetes com até um dia de antecedência, após ficarem por vários minutos na fila receberam, literalmente, a porta na cara.

Às 20h15 o Teatro Nacional fechou as portas sem que nenhum esclarecimento fosse fornecido a uma parte do público que aguardava na fila com os ingressos em mãos.

No salão de entrada próximo a sala Villa Lobos acontecia uma exposição da Marinha do Brasil, contudo a entrada era permitida apenas aos convidados, quem tinha o “com nome na lista”.

Pessoas da Marinha se colocaram na porta impedindo que o público, rechaçado, entrasse para prestigiar o festival. Embora todos explicassem que o intuito era apenas entrar na sala Villa Lobos, o desrespeito continuou. A Polícia Militar foi acionada pelos indignados, entretanto, para a surpresa de todos os PMs se colocaram contra as cidadãs e cidadão, alegando que o ingresso dava direito à entrada, apenas, até as 20h e que a sala estava demasiadamente cheia. Argumentos falhos visto que a grande maioria já estava presente antes do horário determinado e os freqüentadores do Teatro Nacional têm plena consciência de que, se os ingressos foram distribuídos, teriam que receber a todos e arcar com as conseqüências.

Durante todo o período de debate era solicitada a presença da administração do Teatro Nacional, que não se pronunciava. A Marinha falava, a PM falava, mas o Teatro Nacional continuou sendo omisso.

Até que a Srt. P., parte do público que aguardava a entrada, conseguiu que alguém do corpo administrativo do Teatro trocasse algumas palavras. Infelizmente tal pessoa foi evasiva e solicitou que de fato fechassem (A Marinha) as portas do teatro que estavam sendo obstruídas pelo pé da Srt. P. como forma de garantir a comunicação. Nada adiantou, a PM virou as costas ao problema e a Marinha ignorou e voltou à sua zona de conforto atrás da porta de vidro.

Após grande insistência e movimentação de indignação a porta foi aberta ao público, humilhado pelo descaso do Teatro Nacional e da PM, que conseguiu entrar para assistir a metade restante do espetáculo.

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Confusão na abertura do I Festival de Ópera de Brasília de Aisla Neilia de Araújo é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil.
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Qual a solução? AMOR!

Posted: 2 de Junho de 2011 in Diversos

Curta-metragem “Não Gosto dos Meninos”, inspirado no projeto internacional “It Gets Better”.

produção | mirada + gringo
diretor | andre matarazzo + gustavo ferri
diretor de fotografia | gustavo ferri
camera | felipe santiago
editor | felipe santiago
produtor executivo | enio martins
pós produção | mirada
trilha | andrei moyssiadis
produtora | marcela fecuri

No dia 23/05 publiquei o artigo sob o título “Agora é a vez do “Bolsa Estupro”!”. Tal publicação participou da Blogagem Coletiva – 28 de Maio: Dia Internacional pela Luta da Saúde da Mulher. Escrevi com o cuidado do respeito. Externei meu entendimento e citei informações de fontes confiáveis.

Embora o assunto seja simples e siga uma lógica básica, compreendo que por vezes é necessário fazer um ‘desenho’ do caminho percorrido para facilitar o entendimento para algumas poucas pessoas.

Adoto a cautela de explicar que a luta das mulheres por seus direitos não está associada ao ódio ao masculino. Aqui trato de assuntos relacionados ao feminino e não a depreciação do masculino. Ao contrário, a presença de homens na luta a favor da igualdade de direitos e valorização da cidadã e do cidadão é muito apreciada. Caso exista genuíno interesse, poderá pesquisar as diferenças entre feminismo e femismo.

Em respeito ao comentário (Clique no link para ir ao comentário.) elaborei este esclarecimento. Antes disso, enviei-lhe um e-mail solicitando que mostrasse bases sólidas e argumentos válidos, considerando que tal senhor, talvez por falta de argumentos, tentou atacar supostos pontos de minha vida particular que acredito não exercerem influências no assunto tratado no artigo, na Constituição Federal ou na Declaração Universal dos Direitos Humanos (Algumas das fontes utilizadas.).  Até agora não recebi resposta. Lamentável!

Abaixo segue uma visão rápida e essencial das fontes para a crítica do artigo “Agora é a vez da “Bolsa Estupro”!”.

O Código Penal brasileiro – prevê, atualmente, que é permitido à mulher realizar aborto em duas situações: estupro ou risco de vida para a mãe.

O Cfemea (Centro de Estudos Feministas e Acessoria) - demonstra preocupação com a “Bolsa Estupro” devido à indireta cumplicidade do Estado ao estupro, crime hediondo.

Universidade de Brasília/Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) – em maio de 2010 divulga que uma em cada sete mulheres entre 18 e 39 anos já realizou pelo menos um aborto. O aborto clandestino é uma das maiores causas da mortalidade materno no país e cerca de 50% das mulheres que realizaram tal aborto procuram a rede pública de saúde por complicações. A grande maioria é de baixo poder aquisitivo. Segundo Marcelo Medeiros, coordenador da pesquisa, a questão do aborto refere-se à saúde pública. O que conclui a necessidade de descartar preceitos religiosos na análise da questão.

PNDH-3 – o plano enfatiza a necessidade de tratar o aborto como questão de saúde pública, como dito pelo Marcelo Medeiros (PNA), citado no parágrafo acima.

Sinpro Mulher – publicação voltada para as educadoras critica o PL 478/07 como meio de criminalizar a mulher.

Ao final do artigo citado há referência de pesquisa.

Defender os direitos das mulheres e dar a devida importância à saúde delas não constitui ataque ou ódio ao masculino, enfatizando. Seria pertinente questionar qual o importuno, ao masculino, das mulheres se preocuparem com seus direitos e sua saúde?! Teoricamente, tal fato não deveria ser incômodo.

Viver tranquilamente seria o ideal, entretanto, dizem por aí que a calmaria vem depois da tempestade!

Pensar a sociedade não é suficiente, é preciso vive-la!