A fama do mês de agosto nunca foi boa. Pelo menos aqui em Brasília, agosto fica entre o inverno e a primavera e todo mundo esperando a chuva. O clima varia entre frio e calor, sem umidade nenhuma, como se testasse nosso corpo ao limite. Dá impressão de estar passando por uma seleção natural – sobrevive o mais forte!
Conversando com um amigo sobre questões que vem acontecendo na política e economia do país, ele finalizou a fala da seguinte forma: “Agora precisamos nos preparar, agosto você sabe como é…”
Contudo, penso que temos a tendência de maximizar, principalmente, as coisas ruins da vida. Isso não é nada bom!
O conselho que dei ao meu amigo e dou às pessoas com as quais converso é:
Conecte-se à natureza, sinta qual recado ela traz. Embora estejamos cercados de concreto, ainda temos conexão com a terra e não é difícil sentirmos os processos cíclicos pelos quais passamos. Atualmente estamos em período de recolhimento, purificação, renovação, cura, transformação… É normal que as feridas apareçam, a diferença é se vamos ficar derramando lamúrias ou vamos nos curar! A primavera espreita e olha pela janela analisando por onde entrará, com certeza seu tempo chegará trazendo as primeiras chuvadas, flores e mais calor.
É isso que estamos vivendo, a preparação para a chegada da primavera. Renovação de esperanças e forças. Agosto também é um mês de iniciações, é época propícia para planejar e dar os primeiros passos de projetos.
O importante é não dar força ao negativismo atribuído ao mês de agosto. Virarmos a chave e encararmos como um mês para recomeçar!
Orgulho Pela Coragem de Lutar!
Posted: 28 de Junho de 2011 in Discriminação, Homofobia, Orgulho LGBT, Político, Preconceito, Violência
Ontem me deparei com uma situação interessante: Os machistas que conheço tinham muito mais conhecimento sobre a Parada LGBT de São Paulo que eu. Isso mesmo! Meu final de semana foi cuidando de muitas outras questões e não pude acompanhar, pela mídia, o movimento. Entretanto, por que me preocupar se os heteros machistas cuidam disso para mim, não é mesmo?!
Já notaram como o machismo está intimamente ligado à homofobia, talvez por depreciarem tudo o que lembre uma mulher, e se um homem mostra um jeito, digamos, ‘feminino’ – já é a escória do mundo. Há os que dizem: “Ele é gay mas tem jeito de homem, então não agride tanto!” Mas essa é outra história, o fato é que fui pesquisar algumas coisas, e…
Piadinhas à parte, toda essa preocupação excessiva de alguns heteros quanto aos homossexuais, tornando-os até mesmo homofóbicos, é peculiar. Para minha surpresa, me deparei com um estudo científico que tinha lido há algum tempo: Homofóbicos, cientificamente, sentem-se atraídos/excitados com pessoas homossexuais do mesmo gênero.
É difícil de acreditar, mas a pesquisa foi feita pela Universidade da Geórgia.
Essa pesquisa é importante não para dar base aqueles argumentos falhos, do tipo: “Ah, ele é um gay enrustido!” Minha visão é que, se outrora era estudado o que causava o ‘homossexualismo’, atualmente começam as pesquisas sobre o que causa o ‘homofobismo’. A homossexualidade está saindo do papel de vilã social e a homofobia está tomando este lugar. Heteroafetivos com esclarecimento necessário apoiam a luta contra o preconceito e a discriminação, assim como muitos homens apoiam a luta das mulheres contra a violência – a Marcha das Vadias é um bom exemplo!
O Dia do Orgulho LGBT não visa afrontar a heterossexuais, tão pouco converter pessoas em homossexuais ou bissexuais. Até porque ninguém vira ou ‘desvira’ sua sexualidade.
O Orgulho LGBT, em minha vi
são, está muito mais ligado a impulso na luta dessa minoria (Que em números cresce a cada dia!) e o reconhecimento do ser humano considerando muito mais que apenas sua orientação sexual ou gênero. Vejo a observância de tal dia como uma ação contra o suicídio. É apontado por pesquisas que o índice de suicídio por parte de homossexuais é cinco vezes maior. Preocupante! Alguns países promovem ações de valorização individual e alianças entre homossexuais e heterossexuais. O resultado? Têm conseguido diminuir significativamente tais índices.
À medida que avançamos em cidadania por um Estado laico, assistimos e sofremos a resposta dos fundamentalistas religiosos. Hoje temos uma bancada evangélica no parlamento de um Estado laico – isso no mínimo fere nossa Constituição Federal! A luta da população marginalizada é atacada pelo Orgulho Hétero e pela Consciência Branca! Um Juiz de Goiás anula uma u
nião estável homoafetiva pouco depois do famoso humorista Rafael Basto ter estimulado o crime hediondo estupro em suas piadas preconceituosas e discriminatórias. Assistimos a resistência homofóbica quanto à aprovação de um projeto de lei que é contra a discriminação e a violência – é a luta pelo direito de discriminar e praticar violência? Seguimos com o caso de uma deputada estadual que entra pra turma do Bolsonaro associando homossexualidade com pedofilia, demonstrando um estado mental desfavorável em relação ao restante da população brasileira, que inclui desde intelectuais até analfabetos.
Ufa! Respire!
Hoje, falamos em homoafetividade. A vida de um ser humano não deveria ser medida por sua orientação sexual ou gênero. Partindo da luta feminista e LGBT, convergimos à um ponto em comum: exercício de direitos civis, a igualdade rezada em nossa Constituição Federal, a luta contra a violência por intolerância e muitos outros pontos.
Celebramos no Dia do Orgulho LGBT, um movimento que, desde a manifestação de Stonewall, vem crescendo e alcançando sucessos significativos para a vida das cidadãs e cidadãos de várias pátrias. Ontem, no Brasil, o judiciário reconheceu a união estável de um casal homoafetivo como casamento civil. Mais uma vitória entre bombardeios retrógrados e discriminatórios, mais uma demonstração de que não vamos parar com nossa luta pelo Amor!
É necessário relembrarmos os motivos de nossa luta e celebrarmos nossa coragem!
Manteremos viva a memória daquelas e daqueles que foram assassinados ou cometeram suicídio por homofobia. Combateremos a violência, a discriminação, o preconceito e a intolerância.
Continuaremos a luta pelo amor e contra a violência! É isso que fazemos com destreza.
Este é o nosso Orgulho LGBT!
Assista ao vídeo e ganhe mais um motivo para combater a homofobia:
Observei muitas conversas sobre a interrupção, aceitação, adiamento e um monte de outras questões relacionadas à menstruação.
Lembro-me da minha experiência com a menarca. Eu tinha 11 anos de idade, estava no colégio quando, ao ir ao banheiro, notei algo estranho em minha calcinha. Coloquei papel higiênico pra não sujar a roupa e ao chegar em casa falei para minha mãe: “Algo estranho está acontecendo comigo!”.
Depois de toda a conversa normal e o comunicado pra toda família de que eu tinha ‘virado mocinha’ (Ok, expressão chata!), ganhei um absorvente!
Embora eu já soubesse quase tudo, que precisava saber naquele momento, sobre menstruação, aquela conversa foi necessária. Aliei conhecimento teórico e prática. Pela primeira vez eu vivia a menstruação, e partindo daquele momento, todos os meses eu menstruaria (Isso se tudo corresse conforme o previsto!).
O tempo passou. As menstruações iam e vinham com cólicas e TPM’s de brinde…
Pessoalmente, avalio a minha menstruação como meu ciclo. Muitas leitoras e muitos leitores podem pensar: ‘Ué, o que tem de diferente na frase dela? O ciclo não é dela? Isso é redundante!’.
Seria redundância dizer que a minha menstruação é um ciclo meu se assim fosse aceito e ensinado por nossa cultura, o que não acontece.
A menstruação é definida como: ‘Mais uma das partes ruins em ser mulher!’.
Entretanto, não há experiência mais íntima e pessoal do que menstruar. Mais ou menos cólicas, nojo ou não do próprio sangue menstrual, TPM insuportável ou não e uma infinidade de outras reações que mudam de mulher para mulher.
Eu vejo algum problema na interrupção do ciclo menstrual? Não, nenhum!
Se existe mesmo um problema, este pode até envolver ciclos femininos (A menstruação, por exemplo.), contudo é um pouco mais amplo, na minha visão.
Eu vejo que a mulher, de modo geral, começou acordar para si.
Não foi a menstruação, isoladamente, renegada. A mulher, sim, foi renegada.
As inserções femininas no mercado de trabalho, nas políticas e em movimentos sociais aconteceram de forma dolorosa.
As necessidades (Muitas vezes, caprichos.) masculinas sempre foram respeitadas no meio profissional, social, etc. Ainda hoje é comum que um homem tenha, até mesmo, suas vontades sexuais levadas em consideração durante viagens de negócio e demais eventos. (Isso não é femismo, eu já presenciei!).
Quanto às necessidades de uma mulher, tão pouco são vistas com a devida compreensão. Não digo no sentido de ‘ter pena’ e sim de respeito. Por exemplo, se uma mulher que está menstruada e enfrenta fortes cólicas e se atrasa, acaba sendo rechaçada – são comuns os dizeres: “tá vendo, mulher é um atraso de vida! Deve ter demorado se maquiando ou teve algum daqueles ‘problemas de mulher’.”.
Fatos assim mostram que a sociedade em si recebeu a mulher como uma pedra no caminho – “Renegue suas necessidades pessoais ou estará fora.”.
Mulher que quer progredir profissionalmente tem que virar as costas para si e se transformar numa máquina que não menstrua, não engravida e tão pouco tem oscilações hormonais.
Esse processo não foi automático, gradualmente o “renegar a si” foi sendo instalado em cada mulher, desde a tenra idade. É normal que uma máquina não menstrue, é normal que a mulher moderna renegue seus ciclos.
É verdade que muitas mulheres, que abraçaram seus ciclos e os compreenderam, escolhem não mais menstruar, seja por questões relacionadas à saúde seja por escolha consciente – note, falo de escolha consciente. Isso eu não critico, compreendo e apoio a liberdade de escolha de cada mulher.
A minha crítica é quanto à ignorância, a ‘não escolha’. Muito me incomoda a condução da vida da mulher contemporânea como a rotina de uma manada. Essa obstinação patriarcal de não somente alienar as mentes, mas também dominar os corpos.
Não concordo com a autoridade assumida por homens quanto a assuntos referentes à vida de uma mulher – experiências que homem nenhum viveria.
Homens preocupados com as necessidades, exclusivamente, femininas são bem vindos. A necessidade é de estes homens compreenderem qual é sua posição neste contexto.
É de autoridade? É colaborativo?
Meu ponto de vista defende o reconhecimento individual da posição dentro de um movimento, causa etc. Não a segregação ou exclusão.
Simplesmente é complicado nos apropriarmos, nos colocarmos em posição de autoridade quando o assunto é tão significativo na vida de um grupo de pessoas ao qual não pertencemos.
Nós mulheres somos autoridades quanto aos assuntos que se referem a nós, os homens que contribuam apenas isso. A eles não pode ser dada a autoridade sobre as mulheres em nossa sociedade, muito menos o direito de ditar como lidaremos com nossos ciclos.
É bom que tenhamos possibilidade de menstruar, não menstruar, usar coletores ecologicamente corretos, absorventes sintéticos ou naturais e assim por diante. O ponto é: Que a decisão seja propriedade individual e não influências patriarcais ou de qualquer outro cunho.
Sei que pareço dar uma volta imensa em torno de um tema pontual, entretanto é necessário buscarmos uma visão ampla do nosso papel enquanto mulheres dentro de movimentos, grupos de mulheres e sociedade de modo geral. Por outro lado, é necessário compreendermos a contribuição de homens nestes movimentos e a posição que permitiremos que assumam neles.
Menstruação não é assunto de homem.
Precisamos brecar a apropriação do tema pelo patriarcado, ao mesmo tempo em que aceitamos tais homens como aliados.
Curta-metragem “Não Gosto dos Meninos”, inspirado no projeto internacional “It Gets Better”.
produção | mirada + gringo
diretor | andre matarazzo + gustavo ferri
diretor de fotografia | gustavo ferri
camera | felipe santiago
editor | felipe santiago
produtor executivo | enio martins
pós produção | mirada
trilha | andrei moyssiadis
produtora | marcela fecuri


